após algum tempo volto a escrever, dessa vez para comentar os livros que revirei nos últimos tempos e dentre as minhas leituras recentes tive diferentes prazeres, uns maiores, outros menores. das cinco últimas, comecei, e começarei aqui, por demian do hesse, num momento chato da vida, ouvi, não lembro quando, não lembro onde, que ele entedia a dor humana, o tormento eterno enquanto o viver, pois bem, o que vi foram algumas passagens interessantes em momentos de puro lero-lero, um personagem eternamente mirim que ao final se joga em um conflito sem sentido deixando para trás a única coisa que lhe importava, pois mesmo depois dessa, dei nova chance ao autor e parti para o seu sidarta e tive novamente uma passagem sem profundidade através de lugares e personagens. uma tentativa fracassada de uma pseudo-neoreligiosidade que me fez abandonar o autor por completo, o chato é que os resumos de seus livros sempre prometem coisas interessantes, que infelizmente acabam por não se realizarem satisfatoriamente, minha impressão é de que estou lendo o paulo coelho alemão. o divertido dessa história toda foi jantar com amigos, pouquíssimo tempo depois, que, coincidentemente, o atacavam ferozmente e eu constrangido por lê tão recentemente, quando deveria na verdade ter tido essa experiência, assim como com o paul rabbit, aos 12 anos. amadurecendo um tanto após a leitura aventuresca pueril, meu terceiro livro foi o delicioso a insustentável leveza do ser, mais um entre tantos outros livros lidos com entusiasmo pelos que me são queridos e nunca antes desfrutados por mim, kundera deteve toda a minha atenção, seus personagens são de fato humanos (seja lá o que isso queira dizer), de forma que desejei que eles fossem eternos, muito, é claro, se deve pelos vícios e/ou virtudes de personagens tão facilmente caracterizados e de forma tão saborosa. mas no livro acontece o que acontece e sabemos que não poderia ser de outra maneira, mesmo assim, apenas gostaria que durasse um pouco mais. o quarto foi certamente o mais polêmico, 120 dias de sodoma do sade apresentou alguns dos personagens mais caricatos e cruéis que já li, já tinha visto o über-comentado filme do pasolini e agora posso dizer, aqueles que se afastaram do filme devem manter distância mil vezes maior do livro, ainda que não exista uma imagem real, sade através de preciosa descrição nos fornece uma terrível imagem mental, das 600 paixões que se propõem a relatar (cinco por dia) apenas as 120 primeiras são esmiuçadas, as demais aparecem apenas como uma breve descrição. o mundo agradece, pois é um livro que se torna cada vez mais maligno e se por um lado o conceito de libertinagem em sade caiu em desuso no mundo moderno, por outro lado conquistou o que poucos conseguiram imortalizou-se na forma de substantivo, adjetivo e como a mente mais doente que já pisou nessa terra. amém. o último, foi no início tapa na cara, lá pelo meio, quando já se está no chão, veio o chute no estômago, o livro apresenta e justifica de forma leve um pouco do que vem a ser o homem, somos não outra coisa que apenas cachorros de palha, john gray é ácido, apresenta em seu livro uma história da humanidade e seu comportamento. para o autor, se deixarmos de incorrer no erro das crenças religiosas, acabamos por cair em outro erro, o de acreditar no humanismo. outro polêmico, outro sabor. e a eterna pergunta de qual o propósito em viver. partindo para os próximos e que sejam tão agradáveis quanto esses.